Estava eu de ferias no Algarve, no meio de uma noite como outra qualquer, a pensar de mim para comigo. Até aqui tudo normal, afinal qualquer animal racional pensa. De repente deu-me vontade de fazer um chichi, no meio dos meus pensamentos e do mandamento fisiológico percebi que já estava a ficar um bocado aflito. Como não tinha outra solução, tive que acordar o meu irmão (coitado do puto, estava ali ao meu lado tão bem a dormir) …deve ser esquisito acordar-se só porque o gajo que está ao nosso lado quer mijar. Enfim, mas como infelizmente tenho dificuldades de mobilidade, era imperioso que o meu maninho fizesse a boa acção do dia: ir-me buscar o urinol, (mijador, pós amigos). Aflição dissipada e aguas totalmente vertidas. Que alivio desgraçado, (já houve quem me dissesse que era melhor que um orgasmo, acredito que sim…). Foi então que senti um peso na consciência. Pensem comigo: o pobre do urinol, desde sempre condenado ao ostracismo na casa de banho, já anda farto de me salvar a pele, tantas foram as vezes que estava lá para dizer “presente” sempre disposto a ajudar-me a acabar com as minhas aflições urinarias, o urinol e o meu herói, é o maior mártir que eu conheço, e que eu saiba é feliz, pois nem sequer reclama, é extraordinária a sua capacidade e disposição para ajudar os outros.
Mas existiram mais coisas marcantes nesta noite luminosa em que percebi o companheirismo existente entre mim e o meu urinol. Desde então dou-lhe os bons dias todas as manhãs, ele merece.É fabuloso podermos descobrir grandes amigos,às quatro da manhã de uma noite que parecia normal. Mas há algo mais para contar, como disse anteriormente. Quando acabei o serviço, o pobre do meu irmão, ensonado no meio da escuridão, pergunta-me onde esta o urinol para o levar de volta ao ostracismo (pobre coitado). Pá, eu limitei-me a dizer: - pronto, está aqui, toma! Mas como ele estava ensonado, só dizia, “onde…onde?”. Por fim lá achou o pobre do urinol e levou-o de volta. Que cena, estava a ver que tinha que dizer algo do género ao meu irmão, “olha, o urinol está quarenta e cinco graus acima do pé que tens mais à mão.” E eu que nunca fui bom a geografia. Enfim, eu e o meu irmão lá adormecemos depois de tão atribulado episódio. Foi o merecido descanso.
Desde então acordo todas as manhãs com a firme convicção de que não é o cão que é o melhor amigo do homem, como pensa a maioria. Pois então eu afirmo-me pertencente a uma minoria, e com orgulho defendo que o melhor amigo do homem, não é o cão, nem o gato, nem muito menos o gajo que vende as bolas de Berlim lá na praia onde estive!
Fixem a velha máxima.
Urinol, o melhor amigo do homem!